Relatório

A Comunicação de Crise é inconveniente para os políticos

Introdução

No âmbito da disciplina de Estratégias de Comunicação e como já aconteceu no semestre passado, o professor propôs a visualização da série Os Homens do Presidente (na versão original, “The West Wing”).
Esta série foi sugerida com o objectivo de ajudar os alunos na melhor compreensão da matéria leccionada durante o ano lectivo, embora agora só me vá centrar nos episódios transmitidos no segundo semestre.
A série é composta por sete temporadas, sendo que os alunos apenas visionaram onze episódios para avaliação. Todos os episódios tinham uma vertente relacionada com a matéria leccionada. Daí que o professor tenha alertado para estarmos atentos aos pontos que realmente interessavam, isto é, que iam ao encontro da matéria.
A série Os Homens do Presidente retrata os mecanismos do poder presentes na Casa Branca mostrando em pormenor os bastidores da mesma.
Esta é uma série de ficção, que embora não se baseie em factos verídicos, facilmente se pode confundir com a realidade do quotidiano da Casa Branca.
Neste semestre o professor deu-nos um novo desafio e teremos como principal objectivo comentar e desenvolver a seguinte afirmação: «a comunicação de crise é inconveniente para os políticos». Este é o ponto de partida para a abordagem e análise dos episódios visualizados, tentando relacionar com a matéria.
Neste semestre vou optar por dividir a minha abordagem por capítulos para facilitar a compreensão de quem lê, ainda que cada capítulo represente por norma referência a um tema.
Antes de me referir ao tema principal, que é a comunicação de crise, vou salientar alguns temas e aspectos que servem de contexto para a minha abordagem e que estão interligados com a comunicação de crise.

1. Construção de uma Estratégia de Comunicação

Hoje em dia, num panorama de elevada concorrência torna-se fundamental que as instituições/protagonistas adoptem uma estratégia de comunicação o mais eficaz possível.
Vivemos numa sociedade altamente concorrencial, por isso, há uma luta constante pelo espaço mediático. Desta forma, na dimensão da estratégia, é importante que a mensagem seja a mais sofisticada e subtil possível para ter maior facilidade em entrar no espaço mediático.
O espaço mediático é limitado e há cada vez mais entidades/protagonistas a quererem entrar nele. Muitas das entidades rendem-se, mas outras continuam a lutar. Assim sendo, as que continuam a sua luta têm que introduzir valor mediático às suas mensagens e é por isto que as mensagens são subtis e artificiais para que os jornalistas não se apercebam.
Tudo isto faz parte de uma estratégia, assim quanto mais ambiciosa for a entidade/protagonista maior é a estratégia exigida.
O esquema de uma estratégia pode diferir, porque não há apenas uma forma de construir uma estratégia, existem várias.
O press release, por exemplo, é parte de uma estratégia desenvolvida consoante a ambição da entidade/protagonista.
Para desenvolver uma estratégia é necessário ter em atenção seis pontos: detecção das necessidades/objectivos e a definição do público-alvo; definição de ideias-chave; criar suportes para as mensagens; análise dos meios; concretizar o plano de comunicação e por último, monitorizar o impacto dessa comunicação.
Deste modo, a criação de uma estratégia de comunicação desde que bem conseguida e quanto mais sofisticada e subtil for, mais dificilmente o jornalista resistirá á publicação. Neste contexto, o press release é apenas uma das faces visíveis da estratégia.
No visionamento dos episódios encontrei a presença explícita de uma estratégia de comunicação em «Ele fará de vez em quando» e «Vida em Marte». No primeiro episódio referido, Leo, que desempenha o papel de chefe-executivo, tem um problema de álcool e “Vallium” e acaba por ser descoberto. Esta informação encontrava-se presente na internet, facto que não favorece a imagem de um membro da Casa Branca. A internet potencia a difusão da informação, pois não tem que ter em conta o espaço mediático finito. Segundo Lampreia, J. Martins, Da Gestão de Crise ao Marketing de Crise, Texto Editores, 2007, pág. 91 a internet: não tem fronteiras; tem grande audiência; não tem limitações temporais; serve de fonte para os media; é amplificadora dos media e tem credibilidade. Assim sendo, os assessores preparam uma reunião para saber qual a estratégia de comunicação a adoptar perante o público e, principalmente, perante os media. Depois de reunidos os assessores a estratégia foi decidida – Leo prepara-se para a conferência de imprensa que o fará admitir o problema de dependência que tem. Leo admite que é um toxicodependente e alcoólico em recuperação e lamenta a dor que causou aos mais próximos.
Há uma notória preocupação em ter uma resposta à uma situação que não estava prevista.
No outro episódio, a estratégia de comunicação incide sobretudo no facto de ter havido uma fuga de informação. Perante isso é importante os assessores saberem como reagir e decidirem qual a estratégia a seguir. A assessoria não é apenas o último ponto de contacto com os jornalistas, pelo contrário, os assessores são parte integrante da própria estratégia de comunicação.
É possível percepcionar que, para qualquer situação que surja, deve sempre existir uma estratégia, ou pelo menos, deve ser criada uma à altura de responder à situação.

1.1 Criar “factos políticos” (os pseudo-eventos e as manobras de diversão como elementos das estratégias de comunicação)

Toda a informação que chega aos jornalistas é fruto de uma estratégia de comunicação previamente definida. Desta forma, a informação é manipulada, é fabricada, é construída. Existem, assim, várias formas de manipular a informação.
Para os protagonistas se afirmarem na comunicação social devem possuir uma estratégia de comunicação para que consigam singrar no espaço mediático, que é finito. Como já referi antes, a internet permite acabar com a ideia de espaço mediático finito, porque multiplica o número de canais de informação através, por exemplo, do youtube ou dos blogues.
Desta forma, um dos objectivos das Relações Públicas é conseguir o maior número de notícias positivas e eliminar e evitar as notícias negativas. Quando surgem as notícias negativas é necessário que se saiba enfrentar uma crise. Quando há uma crise e não há nada a temer, deve seguir-se um conjunto de regras. Deve acima de tudo usar-se a verdade e a transparência.
Na realidade nem sempre se pode usar da verdade e da transparência, porque uma coisa é o que se diz e outra é o que se faz.
Ao contrário da comunicação de crise existem as chamadas “manobras de bastidores” em que se usa a vigarice e a mentira. Na prática nem sempre na comunicação de crise se fala a verdade, nomeadamente na política.
Em vez de se dizer a verdade, opta-se por fazer manobras de bastidores com a intenção de distrair o público do problema.
Para que se desvie a atenção da opinião pública existem tácticas para banir as notícias negativas. Uma das tácticas utilizadas é a criação de pseudo-eventos ou pseudo-acontecimentos. Estas estratégias podem ser criadas através de duas formas: as conferências de imprensa, em que o objectivo é dar maior visibilidade a um acontecimento que entre em directo às 20horas; e as fugas de informação, em que se dá determinada informação ou parte dela em privilégio a alguém. Dá-se um exclusivo a alguém por antecipação, logo determinado acontecimento terá maior visibilidade por ser segredo.
Acima de tudo há que dar valor mediático às iniciativas, atraindo os jornalistas através dos pseudo-eventos ou da pressãos/sedução.
Neste sentido, considero que o episódio «Um dia pouco movimentado» é um bom exemplo do que referi agora. Neste episódio consegui perceber que a porta-voz C.J. estava preocupada por não ter nada para anunciar na conferência de imprensa, isto acaba por ser negativo porque mostra que estão a “jogar à defesa”.
C.J. quando vai fazer o briefing diário, não está disposta a responder aos jornalistas sobre uma possível desconfiança de que a Segurança Social estaria à beira da falência. Desta forma, C.J. tenta evitar as perguntas acerca do assunto da Segurança Social. A porta-voz estava à espera que um jornalista lhe fizesse uma pergunta que lhe convinha responder mas ele não fez. Com isto, ela basicamente não deu notícias aos jornalistas, mas acabou por conseguir fugir às perguntas inconvenientes acerca da Segurança Social.
Na sequência de não ter havido esclarecimentos na conferência de imprensa, há um jornal que vai publicar algo sobre um provável corte na Segurança Social. O Senador Gaines também confirmou a história ao jornal. Com isto, Toby propõe um acordo ao jornalista para que este não publique nada sobre o assunto da Segurança Social. Toby considera que esta publicação prejudica a Administração da Casa Branca e por isso, promete ao jornalista uma série de exclusivos, ainda que o jornalista não tenha aceitado. Toda a conversa foi off the record.
No meu ponto de vista, houve uma tentativa por parte de Toby de fazer com que aquele jornalista, que teve acesso a uma informação e que tinha todo o poder nas mãos, desse maior visibilidade aos exclusivos que Toby lhe cederia, do que propriamente à notícia sobre a Segurança Social, que Toby não queria que tivesse qualquer visibilidade.
Há ainda outro ponto a salientar, em que C.J. não tendo nenhuma informação para anunciar no briefing diário, se mostrou preocupada. Esta preocupação surge porque quando não há notícias para “entreter” os jornalistas, estes têm sempre tendência a irem procurar e investigar para obter informação menos agradável acerca da Casa Branca. Quando isto acontece pode facilmente recorrer-se à criação de factos políticos que servem para distrair os jornalistas e fazer com que eles tenham atenção a determinada iniciativa. No fundo, existem um conjunto de tácticas para atrair a atenção dos jornalistas, que tendem a estimular o valor mediático, podendo mascarar-se a iniciativa.

2. Marketing político

O marketing actua em todas as áreas, neste caso vou referir-me ao marketing político. Entenda-se aqui marketing como defesa dos nossos interesses em detrimento dos interesses dos outros.
É no sector da política que as estratégias de comunicação se tornam subtis, ao ponto de se poder afirmar que na maioria das vezes “vale tudo”. A política apresenta um conjunto de características que proporcionam a que isto aconteça: é temporária e precária; as eleições balanceiam-se na opinião pública; controla e condiciona as nossas vidas. Esta conjugação de situações faz com que a luta pelo poder seja grande e feroz.
Para que um político ganhe as eleições tem que usar-se do marketing político. Há a necessidade de distinguir marketing político de marketing eleitoral. O marketing político começa no dia seguir a ganhar as eleições e o marketing eleitoral acontece a duas semanas antes das eleições.
Na verdade, se um político tem vontade e intenção de ganhar, a sua campanha eleitoral tem de começar depois de ganhar as eleições. O marketing e a campanha política devem ser feitos todos os dias depois de ganhar as eleições.
É de salientar sobretudo o marketing político, pois este adapta os conceitos de marketing à política, entre eles estão: a publicidade (propaganda), o marketing directo, os estudos de opinião (sondagens) e as relações públicas/assessoria de imprensa.

2.1 Técnicas do marketing político

2.1.1 Sondagens/focus group

Para o contexto dos episódios vou centrar-me, essencialmente, nos estudos de opinião, ou seja, nas sondagens. As sondagens são decisivas, pois permitem que os políticos:

* Percebam qual a mensagem que o público quer ver exposta/abordada;
* Saibam como comunicar com as pessoas;
* Possam corrigir algo na sua mensagem e possam monitorizá-la;
* Se a sondagem tiver sido bem feita, o político pode saber se vai ganhar as eleições.

As sondagens são um instrumento de marketing político essencial e muito importante, embora ainda haja alguns políticos que as desvalorizem, sobretudo por ignorância e preconceito.
As sondagens têm um forte carácter noticioso. O seu segredo é que seja criada uma amostra significativa para que seja fidedigna e eficaz. Tanto as sondagens, através da entrevista, como o focus group são formas de antecipar as decisões, sendo a única forma de consultar o povo antes das próprias eleições.
Assim sendo, considero que dois episódios visionados se enquadram naquilo que referi. O primeiro denomina-se por «Na Esquina da 18ª na PotoMac» e o segundo designa-se por «Mentiras, malditas mentiras, estatísticas».
No primeiro caso vive-se um momento de crise. O Presidente Bartlet ficou a saber da percentagem de pessoas que votaria nele para a sua reeleição e não ficou agradado com o resultado, as notícias não eram positivas devido à descoberta da sua doença, a Esclerose Múltipla. Perante esta situação, os assessores decidem que o Presidente irá admitir perante os norte-americanos que mentiu quanto à sua doença. A questão tem de ser resolvida o mais rápido possível devido à sua reeleição.
C.J. combina com o canal Dateline, uma entrevista com o Presidente Bartlet e a Primeira-Dama para que estes façam a confissão, dizendo que a doença lhe foi diagnosticada há oito anos e que ele escondeu nas eleições, acabando mesmo assim por ser eleito.
A entrevista durará cerca de 30 minutos. O teor será sobretudo acerca do historial clínico do presidente. O discurso, tanto do presidente como da primeira-dama, vai ser preparado por Josh e por Donna.
C.J. faz “chantagem” com o canal dizendo que só podem fazer perguntas relativas ao historial clínico do presidente e não sobre a lei, caso contrário perdem a notícia. Sam ficou incumbido de ouvir o presidente e a primeira-dama em separado, para comparar aquilo que cada um diz acerca do assunto.
Desta forma, é fulcral realçar o quão importante são as sondagens, pois foi através delas que o presidente ficou a saber que teria de tomar uma posição para mudar o rumo da sua reeleição. Quando se apercebeu que as sondagens indicavam percentagens que não lhe eram favoráveis tratou de tomar uma atitude e acabou por ir pelo caminho correcto que era o de admitir a verdade. Neste caso, o presidente acabou por optar pelo conceito benigno da manipulação, isto é, realçou apenas a parte que lhe interessou. Assim sendo, predispôs-se a ir à entrevista com a sua esposa salientando que de facto sofria de Esclerose Múltipla.
Mas por outro lado, não quis sequer referir-se à lei relativa a doentes que sofrem dessa patologia e nem sequer quis realçar o facto de ter sido eleito já sabendo que tinha a doença.
O outro episódio também se centra nas sondagens. Neste episódio vê-se que estão a realizar-se sondagens durante 48 horas para se perceber se o presidente Bartlet vai continuar nos 42 por cento ou se vai subir.
C.J. afirma que subirão cinco pontos. No final da sondagem C.J. tinha razão quanto ao facto de subir, mas enganou-se quando disse que subiriam cinco pontos, pois acabaram por subir nove.
Mais uma vez, neste episódio foi notória a importância que é atribuída às sondagens para que qualquer político perceba em que ponto das percentagens vai e qual a possível estratégia a adoptar para manter ou melhorar o seu gráfico.

2.1.2 Campanha negativa

Esta campanha é aquela em que um candidato/uma candidatura revela os defeitos do adversário, em vez de se limitar a enaltecer as suas próprias qualidades.
Em teoria uma campanha devia ser feita pelo mérito do candidato, ou seja, o candidato devia valorizar as suas qualidades em detrimento dos seus defeitos. Na prática e por necessidade de força política, há sempre tendência por parte do candidato para atacar o adversário.
Em Portugal o conceito de campanha que existe, é o conceito de campanha positiva, mas por exemplo, nos EUA e no Brasil é utilizado o conceito de campanha negativa.
Esta campanha negativa pode ter um sinónimo muito forte, ou seja, pode ser apelidada de “jogo sujo”.
Neste tipo de campanha chega-se ao cúmulo de pagar a alguém para que descubra os podres do candidato adversário. Os boatos também são uma táctica para denegrir a imagem do adversário e levá-lo, até mesmo, a desistir.
A ideia de campanha negativa leva-nos à ideia de concorrência, em que se só um candidato pode ganhar, então vale tudo para se conquistar esse lugar. Os candidatos fazem muitos ataques entre si.
A campanha negativa passa sempre ao nível dos ataques pessoais, ainda que sejam num contexto de política. Esta campanha passa pela destruição da imagem e das propostas políticas do adversário.

2.1.2.1 Características de uma campanha negativa

- Acusações (implícitas ou explícitas), insinuações, comparações, criação ou aproveitamento de rumores;
- Cartazes e publicidade dirigida;
- Insultos e dialéctica verbal (e escrita) violenta.

No episódio «The Al Smith Dinner» a campanha entre o candidato democrata Matt Santos e o senador republicano Arnold Vinick revelou-se numa campanha negativa. Neste episódio Vinick vê arrastada para a sua campanha a questão do aborto. Este é confrontado com o facto de terem dito nos media que ele é a favor do aborto. O candidato republicano exige que se apague essa ideia negativa e crê que é Santos que está por trás desta situação.
Como o anúncio não é retirado, os dois candidatos começam a atacar-se. Da parte de Santos há um briefing para atacar Vinick e, nesta situação, Vinick vê-se obrigado a falar abertamente acerca do aborto tardio.
Vinick revela-se pró-escolha, ou seja, defende que o aborto pode ser feito sem qualquer limite. Já Santos é pró-vida, isto é, defende que a vida começa na concepção.
No meu ponto de vista este episódio retrata como um simples anúncio nos media pode ser o suficiente para dar uma reviravolta na campanha de um político, podendo mesmo arruiná-la. Neste momento, a campanha de Santos estaria a ser feita com o ataque ao principal adversário, assim sendo, não se usou das suas qualidades, mas foi buscar um ponto que talvez, para a opinião pública seria negativo e que o ajudaria a conquistar mais votos, em detrimento dos votos de Vinick.
O mais curioso é que no final deste episódio, os dois candidatos combinam (com um aperto de mão) que não se vão atacar mais de forma negativa. Estes acabam por negociar uma campanha com debate e sem anúncios negativos, ou seja, uma campanha verdadeira e sem ataques pessoais.
A meu ver, eles até podem ter combinado isso, mas em qualquer oportunidade que tenham e que achem favorável não resistirão a usar-se novamente da campanha negativa.

3. Comunicação de Crise

Na minha opinião a comunicação de crise está presente na maior parte dos episódios visionados, embora em alguns a sua presença seja mais perceptível. Todos os referidos anteriormente encerram em parte num momento de crise.

É aqui que vou centrar-me mais na afirmação sugerida pelo professor em que «a comunicação de crise é inconveniente para os políticos».

Em primeiro lugar é fundamental estabelecer o que é a comunicação de crise, se tivermos em conta que a comunicação de crise pode aparecer a qualquer momento devido à exposição mediática e à circulação de informação na internet.

Na série vi pelos menos três episódios com momentos mais explícitos de crise, entre eles «Na Esquina da 18ª na PotoMac», «Sentido» e «Universitários».

Relativamente ao primeiro episódio referido, já expus anteriormente, quando falei das sondagens como instrumento de gestão e preparação de uma crise.

No episódio «Sentido» há uma crise devido a um acidente que ocorreu no Idaho, envolvendo camiões que transportavam urânio empobrecido. O acidente ocorreu a 32 quilómetros da população local. Os camiões estão a arder e a situação torna-se perigosa e difícil de controlar.

Um outro camião, que transportava resíduos nucleares, foi roubado. Isto parece ter sido um acidente mas o Presidente mostra-se preocupado que seja outra coisa que não um mero acaso. O acidente ocorreu num túnel e devido à dificuldade em lá entrar, não têm qualquer informação acerca deste.
Isto é claramente uma situação de crise que deve ter uma resposta imediata para que a opinião pública não crie uma má imagem do presidente e da sua equipa de trabalho. Neste caso já deve haver um manual de crise e uma estratégia traçada para actuar neste tipo de situações.
Em primeiro lugar deve existir um Gabinete de Crise, em que devem estar disponíveis, segundo Lampreia, J. Martins, Da Gestão de Crise ao Marketing de Crise, Texto Editores, 2007, pág. 73:

* Alguns exemplares do Manual de Crise;
* Linhas de telefone directas para o exterior;
* Linhas de telefone internas e de telefax;
* Vários telemóveis com números específicos para situações de crise;
* Endereço de correio electrónico específicos para situações de crise;
* Televisor, leitor e gravador de CD e DVD e, como suportes, CD e DVD virgens;
* Rádio portátil, gravador, e suportes de áudio virgens, computadores (de preferência portáteis);
* Quadro de parede (e, se possível, datashow, retroprojector e ecrã);
* Calendário de parede;
* Plantas (da empresa) e mapas (da cidade e do país);
* Listas actualizadas de endereços de correio electrónico e números de telefone e, em alguns países, de telefax;
* Dossiês de imprensa (com o historial da empresa e fotografias) e brochuras;
* Artigos diversos de escritório (blocos de apontamentos, lápis, canetas, papel para quadro, etc.).

Na sequência disto, para a crise dos camiões que me referi, existem alguns pontos que de facto são importantes que existam para que se possa agir perante a crise.
Deve ainda existir um plano estratégico, que segundo Lampreia, J. Martins, Da Gestão de Crise ao Marketing de Crise, Texto Editores, 2007, pág. 75, considerando as seguintes fases:

1. Análise da situação;
2. Definição dos públicos envolvidos;
3. Definição dos timings e das prioridades;
4. Acções a empreender e meios a utilizar;
5. Conteúdo das mensagens a comunicar;
6. Controlo de resultados e análise de nova situação.

Também neste caso, o presidente e a sua equipa devem ter em conta que podem estar pessoas feridas no túnel onde se deu o acidente e podem, pior que isso, entrar em contacto com os resíduos nucleares. Toda esta situação deve ser resolvida o mais rapidamente possível e para isso tem que existir uma boa resposta à crise.
Relativamente ao episódio «Universitários» acontece mais uma crise e há a necessidade de responder com a desinformação e a mentira.
Neste episódio soube-se que foi detonada uma bomba numa universidade. O presidente informa que não sabe quem o fez, mas que quem fez “não nasceu a querer fazer aquilo”. Desta forma, o presidente não tendo uma informação credível e à altura do que os jornalistas queriam saber, acaba por aproveitar a oportunidade para na conferência dizer que as escolas teriam de melhorar e que isso aconteceria na sua presidência.
Desta forma, para fugir ao assunto da crise, ou seja, para desviar a atenção dos jornalistas do que realmente é importante, o presidente e a sua equipa têm em mente tentar possibilitar que todos tenham dinheiro para entrar numa universidade. Toby e Josh falam ainda, de como podem tornar o ensino mais barato, tornando possível a dedução a 100 por cento das propinas no IRS.
Acho que na verdade conseguiram desviar a atenção dos jornalistas da crise que estava implementada, dando notória prioridade a um assunto relativo ao mesmo espaço (a universidade) que de certo seria do interesse de grande parte da população norte-americana.
Neste sentido «a comunicação crise é de facto inconveniente para os políticos» porque estes perante estas situações têm sempre dificuldade em abordar e desembaraçar-se dos problemas.
Se pensarmos que perante um cenário de crise e quando não há nada a temer, a melhor atitude a tomar é mostrar total colaboração, falar a verdade e ter transparência, então é fácil de entender que isto não é propriamente a linha de conduta de um político. Assim sendo, a maior parte deles tem uma grande dificuldade em seguir esta forma de reagir perante uma crise. O caminho mais facilmente seguido pelos políticos perante uma crise, é a de criação de “manobras de bastidores”, também conhecidas como “cortinas de fumo”, é através disto que conseguem desviar a atenção da opinião pública e tendem a eliminar as notícias negativas.
Se tivermos em conta que todos os temas que abordei são parte integrante de uma comunicação de crise, então é importante perceber que esta comunicação não é muito conveniente aos políticos, porque estes têm que estar constantemente preparados para reagir e sobretudo para usar a mentira, a desinformação e as mais diversas técnicas de marketing político.
Perante uma crise deve dar-se a conhecer a situação; não se deve esconder ou negar informação; deve comunicar-se de forma rápida e explicar o que vai mudar depois da crise. Assim sendo, o político não se encontra muito à vontade para, por exemplo, disponibilizar e dar a conhecer toda a informação de que dispõem.
O político perante uma crise, em detrimento de falar a verdade, tende a desviar as atenções, desacreditando o mensageiro, criando manobras de bastidores (ficcionando a realidade, manipulando), como foi o caso do episódio «The Al Smith Dinner».

4. Manipulação

4.1 “Spinning da informação”

Na verdade, os políticos deviam falar para os eleitores, mas pelo contrário falam para os jornalistas, que são os mediadores e credibilizadores da mensagem. Assim, os jornalistas tornam-se o alvo directo de manipulação por parte dos políticos.
Há duas ideias de manipulação (“spinning”), a primeira é a escolha de uma verdade, valorizando-se só uma parte da situação; a segunda baseia-se na mentira, na ficção e na invenção de factos.
Na política quando se fala de crise raramente se respeita o conjunto de regras de comunicação de crise. Assim sendo, os políticos para ganhar a “guerra na opinião pública” têm a necessidade de mentir e de manipular. Por regra, os políticos evitam a comunicação de crise e usam-se da manipulação.

4.2 Colaboração dos jornalistas

Indiscutivelmente os jornalistas são alvo de manipulação por parte dos políticos, logo são as primeiras vítimas e na maior parte dos casos colaboram com os políticos de forma passiva, inocente e ingénua, embora haja excepções.

Assim sendo, os políticos só quando não têm alternativa é que usam a comunicação de crise, até isso acontecer usam sempre a manipulação para fazer valer os seus interesses.

4.3 Spin Doctor

Quem faz o “spinning”, ou seja, quem faz a manipulação é o “spin doctor” (mestre da manipulação). Um “spin doctor” está ligado à assessoria de imprensa; não tem nome porque está envolto em secretismo; não olha a meios para atingir os fins e usa as manobras de bastidores, para desviar a atenção dos jornalistas.
O “spinning” está envolvido em secretismo e em confidencialidade. Se tudo correr bem, isto é, se a estratégia de comunicação der resultados, então não se sabe de nada e resulta, logo a opinião pública e os jornalistas não desconfiarão de nada.
Um “spin doctor”: é discreto; tem a confiança total do protagonista (político); na teoria não existe, apenas na prática; ninguém sabe o que ele faz e quem ele é; é alguém que quebra regras; deve estar a par dos mundos da comunicação e da política; é alguém que manipula a opinião pública; tem um poder invisível; nunca assume a autoria do que faz e não tem qualquer tipo de responsabilidade. Assim sendo, um “spin doctor” manipula a realidade, cria manobras de diversão, destrói os adversários, tem uma relação forte com o poder e não lhe é atribuída a autoria da manipulação.
Na verdade, ao longo de todos os episódios da série pude verificar que existiam vários tipos de manipulação, todos eles pensados à altura da situação. Ainda que não consiga relacionar a existência de um “spin doctor” no visionamento dos episódios da série “Os Homens do Presidente”.

4.4 Filmes “Boris” e “Manobras na Casa Branca” – dois casos de “spinning”

Embora não esteja directamente relacionado com a série foram difundidos na aula dois filmes que mostravam o “spinning da informação” e os “spin doctor” de forma bastante clara e perceptível.
Ambos os filmes relatam a presença de um ou mais “spin doctors” que intervêm no sentido de eleger ou reeleger os candidatos para quem trabalham.
No final, ambos os candidatos acabam por ser eleitos devido á intervenção dos “spin doctors”. Sem eles certamente não teriam alcançado os resultados pretendidos.

Conclusão

Com o decorrer do trabalho e analisando todas as situações que surgiram nos episódios que seleccionei para trabalhar, na parte relativa à comunicação de crise explorei a afirmação sugerida pelo professor, embora em todas as outras situações haja sempre uma condição de crise.
Como se pode verificar os políticos usam-se de várias tácticas para fazerem valer os seus interesses. Deste modo usam a mentira, a campanha negativa, a manipulação, a desinformação, a criação de factos para sobressaírem perante os adversários.
Perante uma crise, os políticos raramente optam pela comunicação de crise, preferem usar técnicas diferentes que desviem a atenção dos principais interessados, isto é, dos jornalistas. Os políticos preferem reagir a uma crise desviando as atenções para uma outra realidade. Para isto usam o “spinning” tendo como objectivo fazer valer uma versão face a outra que não é desejada e que não interessa que seja do conhecimento da opinião pública.
Com o visionamento dos episódios e ainda dos dois filmes que referi posso constatar a realidade, sobretudo ao nível político, de como se processa e quais as reacções dos protagonistas e das suas equipas perante uma crise. É interessante verificar que seja qual for a situação tem que existir sempre um plano estratégico, ou se este não existe tem que ser imediatamente criado, porque só assim se dá uma resposta à altura.
Mesmo que às vezes se preveja uma crise e se tenha um manual de crise surgem sempre imprevistos, que não foram calculados, nem são desejad
os.

Carla Medeiros

3º Ano Comunicação

Nº 324

Respostas

  1. Carla,
    o seu trabalho começa e acaba com a questão central proposta por mim. e isso é positivo. Pena que não tenha aproveitado para desenvolver mais essa questão (em contrapatida percorreu a matéria do semestre, mesmo quando ela nada tem a ver com o assunto; por exemplo, as sondagens/focus group NADA têm a ver com o assunto); registo também a boa organização interna mas o fraco desenvolvimento/investigação externa.


Deixar uma resposta

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Modificar )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Modificar )

Connecting to %s

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.